22 maio 2006

Guilherme Afonso

É na descoberta e na aprendizagem que a vida adquire todo o seu verdadeiro esplendor.

Hoje temos o maior prazer de publicarmos neste espaço um poema retirado de um livro que mão amiga me permitiu o acesso à sua leitura. Um livro, dizem os escritores, costuma ser sempre um pedaço da vida de quem os escreve, há até quem lhes chame um filho concebido, tal a dedicação que os autores emprestam à sua criação. Deste “Amor não se vende” da autoria do nosso conterrâneo Guilherme Afonso e escrito no ano de 1973, retirei este belo poema de que vos dou conhecimento.


AMBIÇÃO

Vai meu poema!
Voa por aí fora,
sem crepúsculo
nem aurora.

Sobe.
Desce.
Ziguezagueia.

Pousa na Lua,
em Marte,
em Vénus.

Vai!
Voa!

Eu irei atrás de ti,
para trás deixando
tudo o que já vi.

Poema!
Meu poema!
Monta um cometa,
voa sem destino,
à toa,
pelos tempos infindos,
pelos espaços siderais

Eu irei atrás de ti,
para trás deixando
tudo o que já vivi.




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